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O corte das asas

Sete e meia da manhã,dei entrada no hospital. Ele carregava as malas,eu medos, inseguranças e dúvidas.
Sempre em silêncio, silêncio esse interrompido pela enfermeira que nos recebeu, tentando quebrar aquele gelo.
Fomos encaminhados para o quarto onde me foi pedido para assinar o internamento.
O L  ia arrumando  as minhas coisas num armário enquanto me metiam a soro e me perguntavam sempre​ se estava bem.
Passados uns dez minutos fui levada,o L foi comigo até a porta do bloco sempre a dizer me que tudo ia correr bem. Sorria mas lá no fundo sabia que nada ia ser como pensado.
Estava cada vez com mais dúvidas e medos mas vieram me todas as recomendações a cabeça e vi que aquele era o melhor caminho.
Naquela sala gelada pedi a Deus para estar sempre comigo e com todos aqueles que amo.
Chegou a equipa e para meu espanto minha tia é a enfermeira que vai estar comigo,senti mais segurança.
Veio a anestesista que me e ali fiquei.
Só me recordo de acordar com a minha tia ao meu lado, explicou tudo que se tinha passado.
Em segundos um  sentimento de arrependimento tomou conta de mim. Mandei cortarem me as asas, nunca mais posso voltar a ser mãe,nunca mais poderei sentir um filho dentro de mim.
Os motivos para o fazer são fortes,em 27 anos já conto com 6 abortos,3 filhos vivos, um parto de gêmeas complicado, ovários sempre a dar problemas e várias complicações.
Já é um historial pesado para uma mulher é o meu corpo precisa de descanso.
Não estou orgulhosa de ter desistido do meu sonho mas sinto que foi o melhor.
Agora a recuperação está a ser horrível mas tudo valerá apena.


Comentários

  1. Os teus filhotes precisam de ti bem. E se foi o melhor, agora tens de recuperar e esquecer...guerreira!!!

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Queridos leitores!

Queridos leitores
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Peço que agora, mais que nunca, não deixem de acreditar em mim. Quero muito voltar, mas ainda não estou preparada.
Com amor,
Mónica

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