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A verdadeira história de um asperger

Várias vezes me questionam pelo futuro de um asperger,então nada melhor que um testemunho de um asperger que já passou por todas as lutas e sempre com uma força maravilhosa. Uma história que dá força para nunca se desistir.

"Voltando em meio às brumas do tempo até os anos sessenta, vejo hoje o Cristiano que fui, o menino magro e cheio de sonhos na cabeça, que vivia sua vida isolado de todos…

Sempre fui muito isolado na minha infância e a vida toda a Sociabilidade Clássica, aquela de ter muitos amigos para brincar quando criança, ter muitos amigos para fazer farra quando adolescente, e ter muitos amigos para ir ao barzinho e danceterias quando adulto, nunca me fez falta, nem nunca foi motivo de angústia ou depressão, como ocorre com muitos Aspergers da geração atual.

Eu nunca fui agressivo, nem violento, ou hostil. Como se vê em inúmeras crianças aspies de hoje em dia, era um pouco agitado, mas não a ponto de ser uma patia, mas era tranquilo, sossegado e feliz.

Aos dez anos eu espontaneamente tentava brincar com os meninos vizinhos, que se recusavam a participar das minhas brincadeiras, e me excluíam, por serem muito diferentes, e por eu não gostar nem querer jogar futebol. Isto me magoava um pouco, mas passava muito rápido, pois eu logo estava no meu Mundo Interno de Fantasias e isto passava.

E claro que, também, nem tudo eram rosas. Minha imaginação ficou de tal forma poderosa que começou a querer tomar posse da minha mente e de repente me vi isolado da minha própria família.

Aquilo sim me atingiu, muito mais do que a falta de amigos.

Mas eu mesmo tratava reagir, e quando queria, encontrava amigos. P foi o principal, e o primeiro (1975), apesar de neurotípico, tão isolado quanto eu, e nos identificamos muito e nos damos muito bem até hoje.

Em 1977, aos treze anos fiz minhas primeiras tentativas de sociabilização, desta vez, relativamente bem sucedidas.

Digo relativamente por que parte da turma que me aceitara também era a responsável por me assediar com o bullying, algo que sofri muito na minha pré-adolescência. Só que, ao contrário da geração de hoje, eu reagi, e entrei para uma academia de halteres, fiquei musculoso e pouco tempo depois dei uma surra em quem um dia me batia, ao invés de ficar sofrendo e me angustiando por aí. Ou seja, comecei a me auto incluir, pois depois disto, toda a turma me respeitou e nunca mais mexeram comigo.

Depois destes tempos, após mudar de casa, e ficar fisicamente separado da antiga turma, que se dissolvia, cada um indo para bairros e cidades diferentes, voltei a ficar isolado, e minha única amizade era com P.

Mas eu realmente não me importava, naqueles tempos de dezessete anos. Eu era feliz isolado e eu mesmo me bastava para ser feliz. Porém, anos depois, uma pressão interna foi se formando dentro de mim, e explodiu em 1999, quando, após um sonho, a carência afetiva e sexual de toda uma vida explodiram, aos trinta e sete anos. E iniciou-se minha busca por uma namorada.

Em apenas dois anos já não era mais isolado neste sentido e obtinha grande sucesso com as mulheres e meu carisma e minha empatia com elas continua forte até hoje, após diversos namoros, muitos “casos” e um casamento. Nesta mesma época iniciou-se a minha Sociabilidade virtual, onde obtive estrondoso sucesso. Hoje comando um Grupo sobre Asperger na rede social Facebook, uma comunidade sobre o mesmo assunto no Orkut, também de um grupo de literatura no Facebook e uma comunidade do mesmo assunto no Orkut, além de participar de diversos outros grupos sobre Asperger e literatura nas redes sociais. Também tenho mais de oitocentos amigos no Facebook e tenho grande popularidade lá. Minha vida foi muito movimentada até hoje: morei duas vezes nos Estados Unidos, morei no Tocantins e em São Paulo/Capital. Também os obstáculos que tive de superar em minha vida, com seus respectivos traumas não foram fáceis e foram muito sofridos, mas os superei a todos: a diabetes, a perda total da visão do olho esquerdo por conta de uma cirurgia malfeita em consequência da retinopatia diabética, a perda trágica do meu irmão há cinco anos atrás, dentre outros exemplos.

Hoje sou desinibido e tenho empatia social, já que passei com sucesso por todas as três fases do Processo de Amadurecimento Asperger, e só não sou mais sociável no sentido clássico, por opção, já que prefiro ter poucos amigos de alta qualidade do que muitos que nada acrescentam de bom na minha vida. Mas, se quiser, faço amizades com facilidade.

Meu nome é Cristiano Camargo, quarenta e nove anos de idade, divorciado, Asperger maduro que superou sozinho e sem ajuda clínica todas as “limitações” tanto sociais como neurológicas da própria síndrome, escritor, com mais de oitenta livros escritos em trinta e sete anos de carreira profissional, cinco obras publicadas e três concursos literários ganhos.  Por Cristiano Camargo
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