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Porquê a intervenção na Terapia da Fala! Por Ana Areias(Terapêuta da fala)

Transtorno de hiperatividade e défice de atenção: Porquê a intervenção na Terapia da Fala

O transtorno de hiperatividade e défice de atenção (THDA) é uma perturbação do neurodesenvolvimento muito falada nos últimos anos e que prevalece em cada vez maior percentagem na nossa comunidade de crianças e jovens.
Muitos estudos realizados ao longo dos anos explicam que esta perturbação está frequentemente associada a um atraso relativamente à aquisição da linguagem. Desta forma, podem colocar-se três questões:
- O que é a linguagem?
- Porque é que existem atrasos na aquisição destas competências em crianças com THDA?
- Em que é que a Terapia da Fala poderá ajudar?

Bom, torna-se importante abordar a primeira questão, uma vez que, frequentemente, nem mesmo os profissionais de saúde e educação conseguem perceber e explicar bem o que é a linguagem.
A linguagem é uma ferramenta que serve para comunicar, é a “janela do conhecimento humano”. Ou seja, todos os conceitos que a criança adquire e compreende (ex. vai buscar os sapatos quando lhe é pedido, olha para o pai quando lhe perguntam onde está), todas as ordens que sabemos que a criança vai compreender e cumprir e todas as palavras e frases que vai ser capaz de produzir ao longo do seu desenvolvimento, devido ao simples facto de já saber o que é que essas palavras querem dizer, englobam-se no grande bolo que é a linguagem.

Vamos a exemplos concretos:
Se uma criança com cerca de 18 meses é capaz de produzir a palavra “bola” quando vê esse objecto, deve-se não só às suas habilidades de fala, mas essencialmente ao facto de já ter desenvolvido a imagem desse objecto na sua cabeça e rotulou-o de “bola” muito antes de começar a falar. Por isso mesmo quando lhe perguntavam pela bola ela já era capaz de a procurar. Provavelmente já conhece esta palavra desde os 8 ou 9 meses ou até antes, dependendo da importância que este objecto tinha no seu dia-a-dia.
Para além disso, desde que a criança começa a dizer a primeira palavra (ex. mamã) e passa por todas as fases até conseguir dizer “mamã, quero pão” e depois ser capaz de complexificar, dizendo “mamã quero comer este pão com queijo, por favor”, vai um tempo longo de aprendizagens de novas palavras, de estruturas frásicas cada vez maiores e até mesmo da consciência que desenvolverá acerca do saber pedir.
Todos estes aspectos e tantos outros que não serão aqui falados, uma vez que se tornaria um texto muito extenso, respondem à pergunta sobre o que é a linguagem.

No que diz respeito à segunda pergunta, é importante perceber que para todas estas aprendizagens, é necessário que a criança tenha outras competências essenciais, tais como a capacidade de manter a sua atenção por períodos cada vez mais longos, ser capaz de cumprir algumas regras básicas de comunicação (como por exemplo, saber esperar pela sua vez, saber ouvir com atenção o outro), conseguir explorar, com tranquilidade, o que se encontra à sua volta, permitindo-lhe aprender tudo acerca do que a rodeia.
Assim, se as nossas crianças com este transtorno apresentam características de hiperatividade e/ou défice de atenção ou ainda impulsividade, compreende-se que algumas das habilidades necessárias para a aquisição da linguagem poderão estar comprometidas. Assim sendo e, respondendo já à terceira questão colocada, refere-se que o Terapeuta da Fala é o profissional por excelência que trabalha com crianças, jovens e adultos com perturbações ou atrasos na área da linguagem, sendo por isso essencial, quando diagnosticada esta perturbação do neurodesenvolvimento, realizar uma avaliação de despiste atenta para perceber que outras áreas poderão estar comprometidas.
Após uma avaliação em Terapia da Fala, poderemos ter uma criança com um grave comprometimento no desenvolvimento da linguagem e, consequentemente, da fala, ou podemos ter crianças que apenas têm um vocabulário mais pobre do que o esperado, com frases mais simples do que as expectáveis ou ainda uma criança que apenas revele algumas dificuldades em produzir alguns sons (que já não pertence à área da linguagem mas sim ao que chamamos vulgarmente por articulação verbal). Por fim, ainda poderá existir uma criança com THDA sem quaisquer dificuldades nestas áreas. Nesta situação, naturalmente que não necessitará de receber qualquer ajuda por parte deste técnico.
Por fim e para terminar, realça-se a importância de um despiste completo de todas as dificuldades que poderão cruzar-se no caminho destas crianças e que poderão comprometer gravemente o seu desenvolvimento.

«Se perdesse todas as minhas capacidades, todas elas menos uma, escolheria ficar com a capacidade para comunicar, porque com ela depressa recuperaria tudo o resto.»
(Daniel Webster)

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Texto elaborado por: Ana Areias, licenciada em Terapia da Fala

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